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Este é o site de Sobre o Passe
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SOBRE O PASSEUma visão sobre “Lettres de L’École Freudienne” número 15 , páginas 185 a 193, de junho de 1975. O que eu gostaria de lhes dizer é isto: é que a experiência do Passe é uma experiência em curso. O modo sob o qual eu a produzi, esta experiência do Passe, é a proposição. A proposição é marcada de uma prudência, uma prudência talvez humana, humana demais, mas eu não vejo, de maneira alguma, em que eu poderia haver feito uma proposição mais prudente. Minha prudência era comandada pelo estado de coisas existente. É o princípio mesmo da prudência. É por isso que eu não quis entregar a outras pessoas senão àquelas que já tinham um certo título, um título que correspondia, de fato, àquilo que, em qualquer sociedade psicanalítica, é uma seleção. Eu não quis entregar senão aos que se chamam A.E. = ANALISTA DA ESCOLA, o cuidado de se agregar pessoas cuja única presença entre eles mudava totalmente o alcance deste mesmo termo: ANALISTA DA ESCOLA. Há aí evidentemente alguma coisa que é exatamente o que funciona em todo aglomerado humano, o que se produz do fato de que o recrutamento, enfim, os seres reais dos quais se trata, se situam nesse real em nome de princípios que são completamente diferentes daqueles que constituíram anteriormente uma classe. E o fato de que essa classe, mesmo mantendo o mesmo nome, é habitada por um outro tipo de diferentes indivíduos, é suscetível de transformar inteiramente, não certas estruturas fundamentais, mas a natureza do discurso. De minha parte, não se trata de um ato de autoridade, um ato de mestre, já que está bem claro que isso me trouxe como primeiro resultado a fuga desorientada de um certo número de pessoas das quais eu apreciava o apoio e a fidelidade. A fidelidade não é uma noção de mestre: se vocês lessem um pouquinho meus escritos, que valem alguma coisa na ordem da política, não é evidentemente a fidelidade que constitue o valor principal dos meus escritos; no entanto, se eu não..., eu não diria hesitei em arriscar, eu não assumi conscientemente nenhum risco, é que eu pensei que os persuadiria, e é de fato aquilo para que me esforcei num certo número de reuniões restritas, e é de certo modo sem aviso, e, depois que concordaram entre si, quando recebi numa reunião dita “Congresso da Escola” que eu recebi deles, tratava-se de três pessoas que todo mundo conhecia, o anúncio coletivo e assinado de suas demissões. Não se pode pois dizer que se eu tivesse aí apostado, se assim posso dizer, no que se pode chamar meu prestígio, seja um sucesso. No entanto, a coisa me pareceu leve, extremamente leve, como de fato seria também o caso, no futuro, para toda pessoa que desejasse seguí-los. A questão não está aí. A questão é de saber efetivamente como tem funcionado até aqui o que se chamava uma sociedade analítica, aquilo do qual Freud traçou os primeiros delineamentos e que tomou uma forma mais e mais precisa em seguida. É precisamente nisto que eu penso que essas sociedades ficam demasiadamente prudentes, se assim posso dizer, isto é, funcionando segundo as leis ordinárias do grupo, onde é de fato absolutamente necessário, sempre, que se manifeste o mestre, como eu acreditei poder dizer no momento da grande revolta de maio de 68: o que vocês querem, dizia eu àqueles que, em nome disto estavam em Vincennes, onde eu havia simplesmente aceitado ir, acreditavam que eu ali estava delegado por poderes superiores - por esse motivo acreditavam ser necessário fazer algazarra, pois eu falo sem que isto costume acontecer - eu lhes disse: o que vocês querem é um mestre. Foi o que aconteceu desde a crise de 68, não trazendo outras conseqüências senão o fortalecimento máximo do que eu havia - graças a Deus, antes de maio de 68! - definido como “o mercado do saber”; eu quero dizer que o saber aí é reduzido a se tornar uma mercadoria. Desde maio de 68 a universidade viu seu prestígio fazer literalmente um boom; não há uma maneira de se alojar, de se aninhar na Universidade que não seja objeto de cobiças e de lutas selvagens. É precisamente com a finalidade de isolar aquilo que é do discurso analítico que eu fiz esta proposição. Eu fiz esta proposição porque o fato da delegação, por reconhecimento comum, de uma autoridade, porque não dizer de um poder, me parecia poder se tornar mais de acordo com aquilo que deveria ser um verdadeiro recrutamento se se instaurasse esse modo de investigação que é o passe. O passe, de fato, permite a alguém que pensa que pode ser analista, alguém que está perto de se autorizar, se é que ele já não se autorizou, ele mesmo, de comunicar o que o fez se decidir, o que o fez se autorizar assim, e se engajar num discurso do qual não é certamente fácil ser o suporte, me parece. No que resultou? Resultou, já que minha proposição tomou essa forma, que é, de fato, o júri de aceitação que teve, em confirmando esse novo membro, em fazer mudar de sentido o termo: ANALISTA DA ESCOLA. O modo sob o qual eram apreciados os indivíduos selecionados, por que não dizê-lo?, me havia sempre parecido participar muito mais dessas leis da concorrência que fazem com que a maior parte dos grupos humanos funcione. Eu quis um outro modo de recrutamento, e é o passe; ele era na minha idéia o primeiro passo de um recrutamento de um estilo diferente. De uma outra ordem, mui precisamente modelada sobre o que eu havia então pensado, e que especificava o discurso analítico. Alguém tem, vários, muitos, enfim, eu não acho, todos aqui seriam capazes de fazer como foi feito agora há pouco, diretamente, alusão aos meus quadrípodos; se, evidentemente, eu pude, desses quadrípodos, e de sua rotação, especificar de uma certa maneira o discurso do mestre, e eu devo dizer de outros discursos, e distingui notadamente o discurso universitário enquanto distinto do discurso científico, isso não é evidentemente alguma coisa que não pôde ser construído, que não possa ser pensado senão a partir do discurso analítico; se não houvesse o discurso analítico, eu não teria podido, evidentemente, eu não teria jamais pensado o discurso do mestre como simplesmente um certo tipo, um certo modo de cristalização do que faz, em suma, o fundo de nossa experiência, a saber, a estrutura mesma do inconsciente; ninguém havia pensado em se referir ao discurso do mestre em si, mas ele é singular, ele é notável, ele surpreendeu a mim mesmo, não é mesmo?; que em suma isto tenha chegado a dar aí um peso, um sentido, uma necessidade, sob o termo plus-de-jouir [mais-de-gozar] àquilo que num discurso do mestre bem especial, o discurso capitalista, MARX soube isolar, detectar como sendo o móbil, o resultado maior, a saber, a mais-valia. Não se trata do discurso do mestre como tal, mas de uma certa variedade desse discurso, o discurso dito capitalista, que não se distingue senão por uma pequena mudança na ordem das letras, as minhas. É um fato que ao detectar, no sentido do discurso capitalista, a mais-valia como um móbil essencial, MARX conferiu de imediato uma consistência e uma potência ao discurso do mestre, cujos resultados vocês não cessam de ver; eu quero dizer que é absolutamente certo que o capitalismo de estado, que é o que reina na URSS, nos mostrará em seguida que há o maior interesse em que o discurso do mestre saiba o que faz. E é evidentemente alguma coisa cujo acontecimento tem seu peso próprio, mas assim mesmo não é, aos meus olhos, nem um pouco sem interesse, no que lhe concerne, que o discurso psicanalítico não somente tome corpo, mas tenha desde já tomado corpo, quer vocês queiram ou não, e que este congresso seja um testemunho do fato que, enfim, há um interesse, um interesse universal poderoso em que esse discurso se mantenha tal, não é forçoso que os próprios psicanalistas hajam tomado consciência para que isso já funcione. E de fato o drama deles, é que, notem, eles respondem, como já disse, a uma demanda, mas se essa demanda não vê mais longe que a ponta de seu nariz, isso não será afinal de contas senão uma demanda de enfermo. Sendo que isso poderia ser alguma coisa completamente diferente. Eu não vejo absolutamente como, mesmo alguém colocado numa posição diretriz - pois não é nada mais que a posição do mestre - mesmo alguém colocado numa posição diretriz, dado o que revela o discurso analítico, isto é, meus pequenos esquemas, meus pequenos quadrípodos, o que revela, e eu o digo, unicamente o discurso analítico, enquanto eu tento esboça-lo - o que ele revela é que o que vem no lugar da mais-valia e ao que eu dou um alcance muito mais estrutural que à mais-valia, que não é senão efeito do discurso capitalista, o que vem em seu lugar e que eu nomeei mais-de-gozar é uma função muito mais radical que a da mais-valia no discurso capitalista, uma função de fundamento, ligada muito precisamente ao que eu tentei enunciar de outro modo, a dependência do homem em relação à linguagem com tudo o que o discurso analítico permite entrever, a saber, que se é por essa linguagem que o homem se encontra separado, arrolhado de tudo no que concerne à relação sexual, se é por aí, em outros termos, que ele faz sua entrada no real, ou, mais exatamente, se é por aí e enquanto ele faz falta a esse real, que ele tem uma pequena chance, que há essas vias que lhe são abertas em direção a um certo número de pontos que testemunham da presença mesma do real na origem de seu discurso, se isto está bem assim, fica claro que mesmo abordar as coisas por essa via conhecida demais que quer que ao simplesmente colocar um analista nos reencontremos em uma dessas velhas sociedades estruturadas como as outras, isto é, fundadas sobre o discurso do mestre, mesmo ao se colocar desse ponto de vista, como não ver que, de todo modo, iluminada justamente pelo discurso analítico, há algo que possa se apreciar do lugar mesmo que eu dou no discurso do mestre ao S1, alguma coisa que se possa apreciar das relações desse S1 ao que faz parte do mesmo discurso mas noutro lugar, no lugar do mais-de-gozar como objeto pequeno a, e da possibilidade que esse objeto pequeno a possa justamente mudar seu lugar com ele, com esse S1: é muito exatamente o que exprimem meus dois quadrípodos, aquele que designa o discurso do mestre, e aquele que designa o discurso analítico. Porque deste lugar o pequeno a não seria discernido como na ocasião, já que é dele que se trata afinal de contas, podendo se substituir ao S1, estar neste lugar pseudo-diretivo, e, daí, funcionar como deve funcionar o analista, isto é, esta coisa, da qual, no fundo, não é certo que eu mesmo penetre ainda todo o sentido, mas da qual eu estou certo por outro lado que é bem dessa maneira que isso se deva escrever, a saber, que o analista funciona na análise como representante do objeto pequeno a. Eu não vejo, pois, porque mesmo em se supondo alguém colocado em posição desse S1 mais ou menos diretivo, dessa posição mesma ele não poderia ser apreciado num certo momento, que é aquele que eu chamo o passe, porque mesmo se supondo alguém tomando esse risco, esse risco louco, enfim, de se tornar o que é esse objeto, o que é esse objeto enquanto que não representando afinal de contas nada além de um certo número de enigmas polarizados, aqueles que são, para os que falam, aqueles que se presentificam nessas grandes funções que não são por sinal sem estar profundamente ligadas ao corpo, a saber, o seio nutriente, a saber, o resíduo, o dejeto, a merda, para chamá-la pelo seu nome, ou ainda essas coisas que, por terem um aspecto mais nobre, são estritamente do mesmo nível, eu quero dizer o olhar e a voz. O importante nisto é que nós colocamos em cena uma experiência radicalmente nova, pois o passe não tem nada a ver com a análise, e o que falta, nesta reunião, pois depois de tudo, do júri de aceitação [agrément], e é bem compreensível considerando o recrutamento até o presente, ele não pode vir senão dos testemunhos de perplexidade e de embaraço, mas o que é certo é que há ao menos alguns passantes que não poderão jamais esquecer o que foi para eles, que estavam, digamos, em princípio em fim de análise, o que foi para eles essa experiência do passe. Se eu desejasse falar, eu diria com uma palavra que tomaria emprestado ao que ouvi, numa dessas salas, eu lamento não poder homenagear a pessoa que a proferiu, alguém disse que o passe era como um relâmpago. Isso evidentemente me admirou muito, não podendo deixar de despertar em mim, ainda mais sendo alguma coisa que é para mim, como já o indiquei noutro dia, uma leitura muito atual, uma frase, uma frase célebre de Heráclito que diz: ta panta oiakizei keraunoV, o que se traduz, quando isso se traduz, se é traduzível; que se traduz até mesmo literalmente, porque keraunoV quer dizer o trovão, eu não direi em todas as línguas, mas justamente na língua grega o trovão rege ta panta: daí, não vou traduzi-lo, porque é intraduzível; Diels, que recolheu os fragmentos de Heráclito, que fez uma recopilação de qualquer forma definitiva, autentificada, é um filólogo notável, Diels traduziu por o universo; como eu fazia observar a alguém no decorrer de uma conversação num jantar, é absolutamente distorcer tudo chamá-lo universo, digamos mais corretamente, só há o relâmpago que faz isto: por um instante num clarão, o universo; e mui precisamente ta panta que é um plural, eu o digo para aqueles que, aqui, não conhecem a língua grega, ta panta não se pode traduzir porque é alguma coisa como os todos, mas os todos enquanto diverso, como tem um monte de todos. Há um monte de todos que são radicalmente distintos e se há uma coisa, no entanto,, que indica a expressão ta panta (aquela, não esqueçam, começa a frase, que é ta panta oiakizei: o acusativo está colocado no início), ta panta, isso quer dizer: os todos - é o clarão que os rege. Quer dizer que por um instante, aquilo que percebemos, é que o relâmpago os faz talvez avançar um pouco em direção ao universo, mas o que o clarão certamente demonstra é que não há clarão. E nós somos, certamente, porque é comandada por nossa posição subjetiva, obrigados a pensar o mundo como um universo, ainda que nada assegura, nada assegura em nada que haja qualquer coisa de comum, por exemplo entre o crescimento dos seres vivos e as condições mais ou menos estelares nas quais eles se encontram necessitados de morar. Nada o comprova, a origem da vida, ninguém ainda saiu dela; nos esforçamos, é claro, nos esforçamos para desarrolhar esse buraco, mas conseguiremos? Os ta panta, essa enunciação mesma, procede de uma idéia verdadeiramente principiante da heterogeneidade entre as coisas, digamos, para não dizer nada a mais. Há algo que é importante, é que se efetivamente esse passe pode ser algo que, de repente, coloca em relevo para aquele que se oferece (eu retomo essa metáfora entendida aqui, eu lamento não mais me lembrar de quem, mas que ela se apresente se ela está aí), coloco em relevo, como pode fazer um clarão, isto é, de uma maneira que traz de repente com outra luz, uma certa parte de sombras de sua análise; se é bem neste clarão que qualquer coisa pode ser percebida desta experiência, é algo que concerne ao passante. Eu devo lhes afirmar, eu penso que ninguém no júri de aceitação [agrément], até mesmo Leclaire me desmentirá, eu posso lhes afirmar que isso foi para alguns uma experiência absolutamente incomum. Eis o que eu obtenho após haver proposto essa experiência. Eu obtenho algo que não é absolutamente da ordem do discurso do mestre nem do magister, menos ainda algo que partiria da idéia de formação. Eu falei das formações do inconsciente, mas é preciso saber notar as coisas que eu não falo, pois eu jamais deixei sequer um traço: eu nunca falei de formação analítica. Eu falei de formações do inconsciente. Não há formação analítica, mas da análise se destaca uma experiência, a qual é totalmente errôneo, que qualifiquemos de didática. Não é a experiência que é didática. Eu digo isso porque agora há pouco se falava da psicanálise didática. Por que vocês crêem que eu tentei suprimir totalmente este termo didática e que eu falei de psicanálise pura? Isto bem que tinha uma certa direção, não é? Isso não impede uma psicanálise de ser didática, mas o didatismo da coisa, eis como nós a situaremos melhor: eu lhes apresentei uma lição no ano passado, num dos últimos seminários, sobre o que está em jogo na experiência pretensamente interrogativa a respeito do animal. Coloca-se, como vocês sabem, diversos animais em pequenos labirintos, onde eles se encontram como ratos, é o que se pode dizer. O que é que se faz? Lhes ensinaremos a aprender. Lhes ensinar a aprender, isso não está de todo manifesto que seja algo consoante a seu gênio. Interroga-se isso, é isso que convém colocar em relevo na noção de aprendizagem: são eles capazes, como isso se passa conosco, de aprender a aprender? Pois, vendo as coisas sob esse ângulo, após uma experiência analítica que implica certamente a conquista de um saber, daquilo que pode se abordar desse saber que está aí antes que nós o saibamos, a saber, o inconsciente, o sujeito após uma análise pôde aprender por que truque isso se produziu. É nesse sentido, e somente nesse sentido que uma análise é didática. Mas se ele não faz senão aprender a aprender a apertar os botões, os botões que ele tem para que isso se abra no inconsciente, ah bom! Quanto a mim, permitam-me lhes dizer, eu acho que ele não aprendeu muita coisa. Ele não aprendeu esse algo tão conforme ao gênio dessa espécie à qual ele pertence, que está tão estreitamente dependente desse algo enigmático, desse saber que eu defino como propriamente articulado, está aí a essência disto sobre o que eu insisto quando eu digo que o inconsciente é estruturado como uma linguagem, e que disto, cada qual, a seu modo e num ponto totalmente local, é ele próprio o efeito. A pura e simples dependência. Se ele só aprendeu a aprender como fazer para que outros que não ele se apercebam, é pouca coisa perto do que ele mesmo, nessa experiência analítica, ele não aprendeu nem um pouco, o que quer que o analista pense: ele não o aprendeu, mas isto se desvelou a ele. É de uma espécie diferente, de uma outra dimensão, a de aprendê-lo e a daquilo que a ele se desvelou; seu primeiro movimento é de não saber por que lado o abordar! É disso que se trata, é nesse sentido que o passe finalmente não poderá ser julgado, como alguém o disse nesta tarde, ou nessa manhã, já não sei mais, que na via de uma tentativa de apreensão, e talvez por uma vez de diálogo entre os que por serem expostos a esse passe, viveram a experiência. É evidentemente o que só pode lhes faltar, porque depois de tudo, não está tão caduco, aqueles que se encontram tendo se oferecido a essa experiência não são velhos, e a questão pode se colocar de saber se é agora que se precisa que eles ofereçam não sei que inscrição, esboço, caricatura, ou se é preciso que a deixem amadurecer, mas há uma coisa certa: é que se eu ousei introduzir essa experiência, como eu o disse noutro dia, e justamente a propósito de uma intervenção, não era para que eu interviesse aí. Alguma idéia que vocês poderiam se fazer, ao nível do júri de aceitação, eu só opero com a mais extrema discrição. Vocês me dirão que esta discrição quer dizer igualmente discernimento, que eu opero talvez mais longe do que confesse. Por que não? Quanto a mim tenho o sentimento que eu aguardo e que se nós não temos resultados mais luminosos, mais brilhantes a lhes dar do que resulta dessa experiência, é muito precisamente em função dessa discrição que vai muito além da discrição e que está na ordem da espera. Eu permaneço, de minha parte, eu me desculpo, somente na espera do que isso pode dar, até e inclusive, é claro, um modo totalmente diferente de se recolher o testemunho. Mas que alguém, aqui, mui simplesmente me proponha uma outra maneira para que isso pudesse ser acolhido. Eu desejei mui precisamente evitar o retorno aos velhos usos, a saber, esta espécie de caráter magistral que se destaca do fato que alguém está aí como um candidato, eu aceito que se chame isto um candidato ou cândido a, escrevam isso como quiserem, mas não importa, o importante é que isso se passe, e que o que é essencialmente uma experiência daquele que vem se oferecer, ah bom! haja alguém que justamente não esteja aí com grandes pompas para ouvi-lo, e é justamente aquilo em que os passadores, eu havia pedido portanto expressamente que eles não só fossem escolhidos dentre recém-chegados, e escolhidos por quem? Por seu analista, e como já sublinhei, independentemente do consentimento do próprio sujeito. Aqueles que se encontram nessa posição de passador em certos casos, de fato, se posicionaram analistas: não é absolutamente o que nós esperamos deles. O que nós esperamos deles é um testemunho, é uma transmissão, uma transmissão de uma experiência enquanto que não seja justamente endereçada a um ancião dos anciãos, a um primogênito. Esse corredor, essa fenda através da qual eu tento fazer passar meu passe, eu poderia talvez ter inventado uma mais sutil, mas também não podia complicar demais as coisas, devia, no entanto, ficar na ordem do que se faz. Eu poderia ter lhes pedido para .se tornarem prestidigitadores, por exemplo, mas vocês sabem o que isso engendraria de fadiga! Não, eu simplesmente lhes pedi isso, e eu o repito, o resultado é algo totalmente novo, algo que, para nenhum dos que se apresentaram foi sem efeito, efeitos que são talvez estragos, afinal, por que não? Mas estragos, cada qual sabe que, tal como somos feitos, nós outros, da espécie humana, os estragos são o que pode nos acontecer de melhor. Bem. Ah, bem, eu estou aí com os estragos sobre minhas costas, bom, e no final das contas não é mais inútil por isso, pois como alguém me fez observar, se há alguém que passa seu tempo a passar o passe, este sou eu. Sempre estaremos atualizando este Site. Mais informações: CLIQUE nos LINKS acima e ao lado.
BIBLIOGRAFIA
INTERNET: http://www.psicoanalisis.org/lacan/index.htm?B1=Accepto+%21
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