 |
Este é o site de Cronologia de Jacques Lacan
|
|
Ocupação
|
 |
|
CRONOLOGIA JACQUES LACAN (1901-1980). 1901 - Nascimento de Jacques-Marie-Émile Lacan em Paris, em 13 de abril. - Família burguesa de origem provinciana. A família paterna é de vinagreiros de Orléans e de sólida tradição católica. - Devido a formação católica, Lacan estudará no Colégio Stanislas, uma célebre instituição dirigida por jesuítas. Aí ele adquire, como seus condiscípulos dos liceus laicos, a formação nobre que abre então para todas as altas funções, inclusive médicas, a formação clássica: latim, grego, alemão, retórica, filosofia e matemática. - A França separa a Igreja do Estado e na educação de Lacan transmite valores religiosos, sociais e políticos da elite burguesa católica conservadora. - Tem um irmão Marc e uma irmã Madeleine. - Em um seminário (1961), Lacan fala de seu avô : “Meu avô é meu avô quer dizer que este execrável pequeno-burguês que era o tal homem, este horrível personagem graças ao qual acedi, numa idade precoce, a esta função que é de maldizer Deus, este personagem é exatamente o mesmo que aquele que consta no estado civil como sendo demonstrado, pelo laços do casamento, como o pai de meu pai.”
1918 - O jovem não encontrou entre os que voltaram da guerra o pai carinhoso, moderno e cúmplice, que tanto amava na infância. - No entanto, tinha sido uma tia materna quem percebera a precocidade do menino, permitindo que estudasse no colégio Stanislas, em Paris; seu condiscípulo Louis Lepreince-Ringuet relatou seus dotes de então para a Matemática. O provinciano foi introduzido na vida mundana da capital, sendo seduzido por ela; essa dissipação não o impediu de associar aos sólidos estudos médicos um interesse eclético, mas despido de amadorismo, pelas Letras e pela Filosofia mais os pré-socráticos e Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel [com Kojève] e Marx (com Gilson), pela História (Marc Bloch e les Annales), pela lingüística (F. de Saussure, em seus primórdios) e pelas ciências exatas em particular, a Lógica, com B. Russel e Couturat.
1927-28 - Lacan escolheu os estudos de Medicina (ele fez notadamente estágios em Saint-Louis, Laennec, Trousseau e Salpêtrière), depois se especializou em doenças mentais: em 1927, é nomeado residente dos asilos. - Trabalha no Asilo Sainte-Anne, na segunda secção das mulheres e na Clínica dos Doentes Mentais e do Encéfalo, dirigida, então, pelo Prof. Henri Claude, uma das personalidades mais influentes da psiquiatria entre as duas guerras.
1928-29 - Ligado ao Serviço de Enfermaria Especial da Delegacia de Polícia, onde Clérambault trabalha e cuja Apresentação de Doentes faz então acorrer Paris inteira; onde trabalham Geroges Heuyer, com quem Lacan aprende “a observação psicoclínica rápida”.
1929-31 - Passa doía anos no Instituto de Psiquiatria e de Profilaxia Mental do Hospital Henri-Roussele. - Em agosto e setembro de 1930, faz um estágio de estudos no serviço do Prof. H. Maier, na clínica do Burghölzli de Zurich, célebre pelos trabalhos de Eugen Bleuler, o rival de Freud, sobre esquizofrenia e “a língua fundamental”, de Jung e de Binswanger, promotor da “psicanálise existencial”. - Em 1931, provido do diploma de médico-legista, retorna a Sainte-Anne, e é nomeado chefe de clínica, e será o Prof. Claude que presidirá a defesa de sua tese em 1932. - Assiste em outubro de 1931 à VI Conferência dos Psicanalistas de Língua Francesa.
1929-32 - Textos pré-psicanalíticos.
1932 - Defende sua tese de Medicina: “Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade”, a 7 de setembro de 1932, é o coroamento destes anos de formação. - Lacan envia um volume de sua tese para Freud, recebendo como resposta apenas um cartão postal banal que, aliás, a revista (nº 29 de 1984) “Ornicar?” fotocopiou. - Lacan e Freud nunca se encontraram, nem mesmo durante a breve passagem de Freud em Paris, quando da viagem de exílio de Viena para Londres. Freud recusou qualquer contato direto com o conjunto da SPP, exceto com a Princesa Marie Bonaparte (membro da SSP), onde ficou hospedado na sua casa. - Sua tese faz dele um especialista da paranóia. - Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade – 1932.
1932-36 - Início de uma análise pessoal com Rudolph Loewentein (terminará em 1938-39). Lacan descobre a originalidade da experiência analítica em relação à prática psiquiátrica. - Clérambaut dá um parecer contrário a Lacan, negando a sua admissão como agregado na Universidade. Este relativo fracasso o impulsiona, tanto quanto sua curiosidade apaixonada e as mudanças da psicopatologia na França, a multiplicar suas atividades. - Em 1934, Lacan decide orientar-se para a psicanálise. - Em 1934, nomeado médico dos Asilos, Lacan casa-se com Marie-Louise Blondin, sua primeira mulher, filha de um destaque em Medicina. - Lacan participa do grupo de médicos na “l’Évolution Psychiatrique” (EP), que em 1936 irá ocupar o cargo de vice-presidente. - Em 1934 Lacan adere (nomeado membro aderente) a “Société Psychanalytique de Paris” (SPP), que foi fundada em 1926. - Em 1936, obtém o título de Médico dos Hospitais Psiquiátricos. - O artigo “A Fase do Espelho como formadora da Função do ‘jé’” foi apresentado, em 1936, ao Congresso internacional de psicanálise de Marienbad, sem encontrar outro eco senão o toque de campainha do presidente E.Jones, interrompendo uma comunicação demasiado longa. - O problema do estilo e a concepção psiquiátrica das formas paranóicas da experiência. - Motivos do crime paranóico: o crime das irmãs Papin.
1936-50 - Textos preparatórios de seu ensino. - O estádio do espelho – Inédito - 1936 - Além do “princípio de realidade”- 1936. - A família: o complexo, fator concreto da psicologia familiar. Os complexos familiares em patologia – 1938. - Do impulso ao complexo – 1939. - O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada. Um novo sofisma - 1945 - O número treze e a forma lógica da suspeita – 1946. - Propósito sobre a causalidade psíquica – 1947. - A psiquiatria inglesa e a guerra - 1947. - A agressividade em psicanálise – 1948. - Ensaio sobre as reações psíquicas do hipertenso - 1948. - O estádio do espelho como formador da função do eu (Je), tal como nos foi revelado na experiência analítica – 1949. - Introdução teórica às funções da psicanálise em criminologia - 1950.
1950-51 - O seminário, (I). Seminários de textos freudianos: o Homem dos Ratos, o Homem dos Lobos, Dora. - Introdução teórica às funções da psicanálise em criminologia.
1951-1953 - XIV Conferência dos Psicanalistas de Língua Francesa sobre transferência. - Enquanto a presidia, Lacan se demitiu da Sociedade Psicanalítica de Paris (aquela que sempre teve uma atitude reservada em relação a Freud), em companhia de Daniel Lagache, J. Favez-Boutonier e F. Dolto, fundando com eles a Sociedade Francesa de Psicanálise. - Conferência sobre “O simbólico, o imaginário e o real”. “Relatório de Roma” sobre “Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise”. - Seminário 1 - “Os escritos técnicos de Freud” (1953-54). - Seminário 2 - “O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise” (1954-55). - Seminário 3 - “As psicoses” (1955-56). - Seminário 4 - “A relação de objeto” (1956-57). - Seminário 5 - “As formações do inconsciente” (1957-58). - Seminário 6 - “Les désir et son interprétation” (1958-59). - Seminário 7 - “A ética da psicanálise” (1959-60). - Seminário 8 -“A transferência” (1960-61). - Seminário 9 - “L’identification” (1961-62). - Seminário 10 - “L’angoisse” (1962-63). - Seminário 11 - “Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise” (1963-64). - Seminário 12 - “Problèmes cruciaux pour la psychanalyse” (1964-65). - Seminário 13 - “L’objet de la psychanalyse” (1965-66). - Seminário 14 - “La logique du fantasme” (1966-67). - Seminário 15 - “L’acte psychanalytique” (1967-68). - Seminário 16 - “D’um Autre à l’autre” (1968-69). - Seminário 17 - “O avesso da psicanálise” (1969-70). - Seminário 18 - “D’um discours qui ne serait pás du semblant” (1970-71). - Seminário 19 - “...Ou pire” (1971-72). - Seminário 20 - “Mais, ainda” (1972-73). - Seminário 21 - “Les non-dupes errent” (1973-74). - Seminário 22 - “R.S.I.” (1974-75). - Seminário 23 - “Le sinthome” (1975-76). - Seminário 24 - “L’insu que sait de l’une bévue s’aile à mourre” (1976-77). - Seminário 25 - “Lê moment de conclure” (1977-78). - Seminário 26 - “La topologie et lê temps” (1978-79). - Seminário 27 - “La dissolution” (1979-80).
1953-63 - O mito individual do neurótico ou poesia e verdade na neurose. - O simbólico, o imaginário e o real. - Função e campo da palavra e da linguagem em psicanálise. Discurso do congresso de Roma e resposta às intervenções – 1956. - Seminário I: os escritos técnicos de Freud - Introdução e resposta ao comentário de Jean Hypolite sobre a “verneinung” de Freud –1956. - Seminário II: O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise – 1978. - Variações da cura-tipo. - A coisa freudiana ou sentida do retorno a Freud em psicanálise. - Seminário III: As psicoses. - O seminário sobre a carta roubada – 1957. - Situação da psicanálise e formação do psicanalista em 1956.
- Seminário IV: a relação de objeto e as estruturas freudianas. - A psicanálise e seu ensino. –1957. - A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud. - Seminário V : As formações do inconsciente. - De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose – 1958. - Juventude Gide ou a letra e o desejo. - A significação do falo – 1966. - A direção da cura e os princípios de seu poder. - Seminário VI: o desejo e sua interpretação. - À memória de Ernest Jones: sobre sua teoria do simbolismo – 1960. - Seminário VII: a ética da psicanálise. - Observação sobre a exposição de Daniel Lagache. - Propósitos diretivos para um congresso sobre a sexualidade feminina. – 1964. - Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano – 1966. - Seminário VIII: a transferência em sua disparidade subjetiva – 1960-61. - A metáfora do sujeito – 1961. - A posição humanista de Merleau- Ponty – 1961. - Seminário IX: A identificação. - Kant com Sade - 1963 - Seminário X : a angústia. - O seminário dos nomes-do-pai – 1977. - Do “trieb” de FREUD e do desejo do psicanalista. - Seminário XI: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise – 1973. - Posição do inconsciente – 1966.
1963-64 - Retira-se da Sociedade Francesa de Psicanálise, Funda a Escola Freudiana de Paris (EFP). - Rompimento definitivo com a International Psychoanalytical Association (IPA). - Seguiram-no a esse novo deserto um punhado de amigos deprimidos e de alunos isolados. Graças a seu trabalho, iria se revelar de uma fecundidade excepcional
1964-69 - Seminário XII: Problemas cruciais para a psicanálise. - Seminário XIII : O objeto da psicanálise. - “O psicanalista só pode se autorizar por si mesmo.” - Homenagem feita a Marguerite Duras, do deslumbramento de Lol V. Stein. - O lugar da psicanálise na medicina ou psicanálise e medicina. - A ciência e a verdade – 1966. - Escritos. Pais, Seuil. - Seminário XV : o ato psicanalítico. - Seminário XVI : De um outro ao outro. - O equívoco do sujeito suposto saber. - De Roma 53 a Roma 67: a psicanálise. Razão de um fracasso. - Da psicanálise em suas relações com a realidade. - Pequeno discurso aos psiquiatras. - Discurso de encerramento das jornadas sobre as psicoses da criança. - Proposição de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista na escola. - Seminário XIV : A lógica do fantasma. - Apresentação da tradução de P. Duquenne das memórias de um neuropata (Schreber).
1969-72 - O seminário, (IV). A sexuação, o gozo, o discurso. - O seminário, (V). O nó borromeano, o Sinthome. - A psicanálise neste tempo -1983 - Transfere seu seminário para a Universidade do Panthéon, onde a multidão se apressa em segui-lo. 1969-81. - Seminário XVII – O avesso da psicanálise. - Seminário XVIII: De um discurso que não seria do semblante. - Apresentação da publicação dos Escritos I - 1969 - Alocução pronunciada para o encerramento do congresso da EFP em 19 de abril de 1970, por seu diretor. - Radiofonia - 1970 - Prefácio ao livro de A.Rifflet-Lamaire: Jacques Lacan - 1970 - Lituraterra – 1971 (Literatura e psicanálise). - Seminário XIX – (...Ou pior) - 1981 - O saber do psicanalista - 1981
1972-75 - O aturdito –1973 ( condensar: dito, o não- dito e o dizer). - Conferência na Universidade de Louvain -1981 - Seminário XX: Mais, ainda - 1975 - Seminário XXI: Os não-patos erram - 1981 - Televisão - 1973 - Nota Italiana – 1981-82 - O despertar da primavera – 1974 - A Terceira – 1975 (A terceira retorna, é sempre a primeira). - Seminário XXII: Real, Simbólico, Imaginário - RSI -1975
1975-77 - Talvez em Vincennes –1975 : Lacan expõe as condições necessárias para um verdadeiro ensinamento da psicanálise. - Resposta de Lacan a uma pergunta formulada por Marcel Ritter -1976 - Conferências nos Estados Unidos – 1975. - O Seminário XXIII – O sintoma. - Seminário XXIV – O insabido que sabe/ o insabido que é.
1977-78 - Abertura da seção clínica em Vincennes -1977 - Conferência : Propósito sobre a histeria - 1981 - Exposição sobre o inconsciente: “É a leitura de Freud...” - 1977 - Seminário XXV – O momento de concluir - 1979
1978 - Conferência para o professor Deniker no Hospital Sainte-Anne. Se o inconsciente é “o que se constrói com a linguagem, é uma trapaça: a associação de idéias, é a entrega à sorte; é pela via do acaso que se procede para libertar alguém disto que chamamos de sintoma. Então, avaliação de fracasso quando já é tarde demais?”. - Seminário XXVI: a topologia do tempo (1978-1979).
1980-81 - Aos primeiros sinais da doença do fundador, aqueles seriam tomados pela agitação, que o levou a dissolver sua Escola (1980). - Seminário Dissolução em 5 de janeiro de 1980, Lacan redige uma carta onde pronuncia a dissolução da EFP. Ao mesmo tempo, chama a “se associar de novo” aqueles que querem “prosseguir com Lacan”. Para a nova Escola que virá, Lacan fará a seleção das demandas. Na ambigüidade, ele parece querer partir – “a fim de ser Outro finalmente” – e a fim de que o “Outro falte” – e já prevê uma nova organização. - Dissolução da Escola Freudiana de Paris. A intenção de Lacan foi assegurar à psicanálise um estatuto científico que teria protegido suas conclusões da malversação dos taumaturgos e também o teria imposto ao pensamento ocidental. - O seminário de Caracas em julho de 1980. Lacan anuncia a criação de “minha causa freudiana”. “Cabe a vocês serem lacanianos, se quiserem. Eu, eu sou freudiano”. O que não impede que Lacan marque nitidamente as diferenças entre as duas teorias. - Últimas cartas públicas: elas saúdam a nova escola criada em seu nome. “Meu forte é saber o que esperar significa”.
1981 - Depois de passar sozinho um final de agosto, morre Lacan, em 9 de setembro de 1981, aos 80 anos de idade, tendo sido enterrado com uma discrição que não permitiu que muitos de seus alunos mais próximos rendessem a ele a homenagem que lhe deviam.
Sempre estaremos atualizando este Site. Mais informações: CLIQUE nos LINKS acima e ao lado.
Bibliografia
MARINI, MARCELE- Lacan a trajetória do seu ensino – Artes Médicas, RS-1991
NASIO, J-D - Introdução às Obras de Freud, Ferenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan, Jorge Zahar Editor, RJ-1995
ROUDINESCO, ELISABETH - Dicionário de Psicanálise, Jorge Zahar Editor, RJ-1997
CHEMAMA, ROLAND - Dicionário de Psicanálise Larousse, Artes Médicas, RS-1995
LAPLANCHE E PONTALIS – Vocabulário da Psicanálise, Martins Fontes, SP-2000
KAUFMANN, PIERRE – Primeiro Grande Dicionário Lacaniano, Jorge Zahar Editor, RJ-1996
|
|